sábado, 30 de maio de 2009

Só, Viva

Deixe que o vento te leve,
Deixa que eu deixe esse sentir breve,
Deixe que a música te embale,
Que a poesia te decifre,
Que a lua te esfrie,
E o sol te aqueça,
Deixe-me enlouquecer,
Deixa que a noite me proteja,
Deixa que eu deixe meu destino em suas mãos,
Deixa que eu me entregue,
Deixe-me ser sua pele.
Me deixa contigo ter aonde ir,
Onde terminar.
Perca-se em mim,
Ame-me,
Mas me deixe prosseguir,
Mesmo que for sem ti.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vulnerável

Em uma terceira dimensão
Sentia-me distante,
Sabia que estava,
Vultos rondavam minha visão,
Eram imagens tão conhecidas,
Apesar de nunca terem sido sentidas,
De não ter sido real.
Deixei-me ser entendida,
Deixei que desvendassem meus segredos,
Aqueles guardados em uma caixa invisível,
Com meus maiores desejos,
Temores, receios.
Meu calcanhar de Aquiles,
Exposto por uma ilusão,
De uma imutável e vil paixão

domingo, 24 de maio de 2009

Esperar o inevitável

Como se dilacerado meu coração já não bate,
Meu corpo reage como o esperado,
Ele esta inerte,
Esperando a morte chegar.
Tudo foi deixado pra trás,
Os sonhos já não me atraem,
A realidade é fria e cruel,
Minha vida inteira aos meus olhos,
E não há nada que me faça voltar
Nenhuma lembrança que me faça feliz de novo,
Nada que me faça querer a vida de volta,
Minha única vontade é que tudo isso acabe,
Rápido, sem delongas,
Sem mais qualquer sofrimento,
Não quero mais as lembranças assustadoras do meu passado,
Não quero sentir medo,
Aquele sentimento de alegria eterna que tanto me iludiu,
Eu não quero,
Não quero me iludir,
Eu quero apenas o real,
O inevitável a todos,
Aquilo que agora vejo tão perto,
Aquilo que agora escurece meu olhar, 
E me faz não sentir mais nada.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Reflexos

Tudo ao vento,
Não poderei voltar a trás,
Está tudo gravado.
Em minha mente o eco das palavras é constante,
Não me canso de dizer tudo outra vez,
Sei que ainda não fui entendida,
Que minhas palavras ainda não tomaram forma,
Que ainda não sou bem mais que palavras.
Mas minha mão, não cessa,
Tenho a cede de me mostrar,
De me expressar,
De lhe mostrar,
Fazer-lhe se sentir, ali,
Em cada vírgula posta,
De penetrar em sua mente, e procurar seus medos,
Seus receios,
Desejos,
Momentos,
Melhores, e piores sentimentos,
De fazer-lhe refletir.
Quero fazer-lhe estar em frente a um espelho,
De palavras.

Antigo Futuro

Como em um passo de mágica
Me vejo cometendo meus erros,
Sei que não posso interferir,
Sei o que aquilo vai lhe custar,
Todo o sofrimento,
Toda a dor,
Porque não me deu atenção?
Porque teima em ir no mesmo caminho que trilhei?
Dor não pode ser passado ao outro,
É preciso que você sinta,
Sangre,
Chore,
Vá ao fim do poço.

Me ver em você é sangrar novamente,
Minha vida interferiu tanto na sua?
Não, não preciso dessa resposta,
Aumentar minha culpa não lhe fará voltar.

Mesmo sabendo que você vem ao meu encontro,
Que você estará ao meu lado de novo,
Não posso deixar você continuar,
Porque eu sei o que tem logo adiante,
Porque te ver aqui,
Seria morrer por duas vezes.

É necessário que você lute,
Não se deixe cair, como eu fiz,
Não me siga, eu não sou um exemplo,
Seja alguém novo,
Volte,
Perceba em quanto é tempo,
Sinta, veja,
Viva tudo o que sonhamos,
Me faça, pela sua vida, ser feliz.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Descrição de um Pesadelo Matinal

Como ele foi parar ali?
Em uma das salas uma senhora simpática,
Suas formas eram familiares
A genética tem lá seus traços de humor

Aquele lugar era sinuoso,
Vibrava uma como uma antiga perdição
Ornamentado por muita pelúcia e vaidade
Era a armadilha em que ele queria estar

Subitamente,
Tua voz ao fundo
“Finalmente vamos...”
E o que lhe resta é fugir.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Reencontrar-me

Se queres saber se me deixei levar,
Se me deixei cair,
Digo-lhe que não,
Não me isolei,
Apenas me desviei do caminho,
Atordoada com um mundo desconhecido,
Iludi-me com toda a beleza e ternura jamais vista,
Mas encontrei-me com seus pontos negativos,
Percebi que sou pequena e frágil,
Que minha força é escassa se longe da nascente,
Que sou feita de minhas escolhas.
Não lhe direi que consegui só,
Que não sofri na volta,
Que encontrei um caminho fácil de volta,
Lhe direi apenas que toda gota de água sabe como reencontrar a nascente.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Algumas Razões

Tenho razão de sentir saudade
Tenho razão de sentir sua falta
Ah esses beijos molhados
Um dia você me mata

Tenho razão para lembrar
Tenho razão para querer
Esse abraço gostoso
Seu carinho eu quero ter

Tenho razão para sonhar
Tenho razão para ver
Esse lindo olhar
Que me dão tanto prazer

Tenho razão enlouquecer
Tenho razão para estar assim
Meu amor eu te quero
Bem pertinho de mim.

Oração

E que essa chuva que molha meu rosto não se acabe,
E que toda minha agonia se dissipe,
Que minhas lágrimas,
Agora, misturadas com a chuva,
Vá embora,
Que a angústia que cobre meu peito,
Enevoa minha mente,
E distorce minha visão, 
Nunca mais volte.
Que eu receba tudo o que ela trás de lá,
Daquele lugar aonde só meus sonhos alcançam,
Do lugar de onde vem minha esperança,
Do lugar pra onde voa meu pensamento,
Que a chuva que agora me cobre,
Acolhe, 
Me envolve,
Me faça estar novamente em paz.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cinzas

A única coisa que consigo sentir agora é o ódio em minhas mãos...
Minha vontade incontrolável de gritar.
Sumir...
Tão grande quanto o amor.
Só que ainda mais destrutivo,
Ele me deixa mais forte,
Mais capaz, 
Capaz de fugir da responsabilidade...
De conseguir,
De não ter medo, 
De me fazer ver a verdade,
Ou de me esconder dela,
Sei que tal força é passageira,
E que no final,
Ele haverá destruído tudo o que existe em mim.
Mas agora,
A única coisa que posso fazer
É ceder a todos os meus desejos mais insanos, profanos,
É sentir.
Senti-lo me possuindo, destruindo...
Fazendo-me voltar às cinzas,
Fazendo-me fazer, encarar, sentir, 
Viver tudo outra vez.

domingo, 3 de maio de 2009

Degola

Oh sim, você prefere se contradizer não é?
Bebendo da falsa fonte de alegria do mundo
Aquele ali sentado, vestindo trapos
Talvez você queira compartilhar um pouco disso com ele.

Atravesse a rua
Esse será o dia em que a identidade humana ira morrer
Salve-a
Enfim, estou falando com mais um cúmplice destes crimes?!

Sim, corra para algum lugar
Você é perito em ver lógica nisso tudo
Estou cego
Me pergunto se não é melhor estar assim.

Quero saber o porquê de tanta correria
Tenho vinte minutos! E você?
Peças descartáveis correm por aí
Com seus retratos e vidas em vão.

Aquele ali sentado, vestindo trapos
Suas verdades estão bem escondidas
Certo dia ele foi chamado de irmão
Mataram o autor da frase
Morto na mesma degola da identidade humana.

sábado, 2 de maio de 2009

Estava tão frio, mas não era inverno
estava escuro, mas não era noite
estava tudo tao vazio
nada tinha cor, nada tinha graça
não tinha nada
Ah, tinha uma coisa
tinha eu
mas eu conta?
O que sou eu em meio o nada?
Eu sou TUDO.