sábado, 18 de outubro de 2014

Proposta

Eu quero um amor leve,
que me leve a lugares que eu não vi,
aos seus sonhos,
à sua infância,
às suas histórias.
aos seus fetiches.

Quero companhia que não fuja das crises,
que reinvente a loucura,
que não sinta vergonha de ser, por vezes, clichê

Que goste do mar,
de cerveja, de bar,
de cinema, de vagar, divagar, ir devagar,

Eu quero alguém que goste e saiba amar.  
Sem temer, sem relutar.
Sem seduzir, sem se enfeitar
se mascarar, se enganar.

Eu quero alguém que entenda os riscos
e arrisque a se machucar,
Quem seja arisco, até íntimo se tornar,
Quem ame e grite isso ao ar.
Quem tome folego pra beijar,
e que o perca ao me encontrar.

Quero alguém que se proponha,
a minha proposta de amor compartilhar. 


Agora

De tudo que é difícil no viver,
decreto o esquecer o mais doloroso.
porque tem de ser roer as lembranças,
reviver bom e maus momentos,
rir e chorar por dias.
Se acostumar com as várias sensações que todos os últimos lhe trouxeram,
último beijo,
último abraço,
último suspiro,
último olhar.
E quando se acostuma
se dá um último desesperar,
e se esquece.
Ao menos, é assim que eu espero que seja;
Mas por hoje, lembro.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tanatose

Visão turva,
suor e lágrimas,
e não há uma parte do meu corpo que não doa.
Permaneço em repouso,
com a esperança de que, como um animal,
pensem que eu já estou morto e abandonem a carcaça.
Perdi a luta, mais uma vez...
e já não sei se eu estou fraca,
ou a vida que está batendo ainda mais forte.



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Cortes

Quanto mais me dou,
mais me encontro,
entre lágrimas e sorrisos,
nesses espelhos que são os olhos de quem me ganha,
nesses estilhaços de quem me perde.

Calma

E de tudo que me é espera,
que me seja dado com lentidão.
O tempo tem disso,
de esconder o que já é seu,
e enaltecer aquilo que lhe é negado.
Que seja eterno enquanto dure,
e que dure uma vida inteira pra ser.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Reencontro

Três perguntas, respostas curtas
Olhares que se esguiam,
Piadas, risadas forçadas
O entrelaçar das mãos,
E mais uma cerveja.
Diversos sentimentos:
Nostalgia, alegria, tristeza
"foram tantos momentos"...
Falo sobre a mudança do tempo e peço a conta.

Marcas

Banalizei meus sonhos, meu eu,
Atirei-me ao fogo sem titubear,
Senti cada queimadura surgir, sangrar,
Encobri a ferida, com a esperança de cicatrizar.
Agora, despida,
A imagem diferida, já não me faz de nada lembrar.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Do lado de lá

Eu que sempre estive sob holofotes, te encontrei em um feixe de luz que atingiu sua escuridão.
Eu que vivi no escuro, notei em você aquilo que os holofotes cegam,
eu que sempre vivi com o pé no chão, mantenho meus olhos no céu, e assim te vi.
eu que voo sobre tudo, ao abaixar a guarda, te vi como um ponto seguro na terra onde eu podia pousar,
sempre me mantive longe d'agua, e te encontrei ao me afogar,
a água era extensão de mim, mas só quando o sol secou-me pude te encontrar,
eu sempre soube qual era a probabilidade de te encontrar,
eu sempre soube que te encontraria, por extinto, por tanto procurar,
eu que tanto planejei te encontrar, só te encontrei ao deixar o acaso me levar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Há de ser

E o que é necessário para ser poeta?
Um bom linguajar?
Trejeitos ortográficos?
Músicas tristes? Um livro de rimas?
Um retrato do passado?
Uma palavra bem dita?
o dilatar das pupilas?
o coração ofegante?
a falta de senso?
o excesso de sentimento?
saudade, amor, raiva, tédio..tormento?
Horas, ruas ou mente vagas?
Gritos guardados,
ou sussurros dados?
Tem de ser novo?
ou já lhe vale o clichê?
Muito me vale um poema,
ou um poeta,
de toda ou qualquer forma que vier de ser.
 Há de ser inspiração.



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quis

Quis ser honesta, deveras sincera,
amiga, poeta; ser parte da terra.
Ambientalista, percursionista,
percorri suas pistas,
sorri pras suas linhas, mentiras.
resolvi suas intrigas,
Me esforcei e não fui vista.
Me mostrei e fui ferida.
Agi como animal, por vezes irracional.
chorei como mortal, que se da conta de sua total impotência,
da sua fragilidade e mera existência.
Quis não ter começado; não ter terminado.
Não ter te encontrado e quanto muito me perdido...
quis muito e de tanto, pouco tive,
detive, contive.
E se querer e viver bem é crime,
me condene, mas não me prive.